Um exame que vai além do diagnóstico: ele ajuda a definir o tratamento.
A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), anteriormente conhecida como esteatose hepática não alcoólica, tornou-se uma das doenças crônicas mais frequentes da atualidade. Ela está intimamente relacionada à obesidade, ao diabetes tipo 2, ao pré-diabetes, à resistência à insulina e às alterações do colesterol e dos triglicerídeos.
Na maioria dos casos, a doença evolui de forma silenciosa durante muitos anos. Por isso, identificar precocemente o acúmulo de gordura e a presença de fibrose é fundamental para prevenir complicações futuras.
A elastografia hepática guiada por ultrassom é um exame moderno, rápido, indolor e não invasivo que permite uma avaliação detalhada da saúde do fígado.
Durante o exame, é possível avaliar dois aspectos essenciais:
- Quantificação da gordura hepática, permitindo medir objetivamente o grau de esteatose.
- Avaliação da rigidez do fígado (elastografia), identificando a presença e o grau de fibrose hepática, principal marcador de risco para progressão da doença.
Essas informações permitem um acompanhamento muito mais preciso do que o ultrassom convencional.
Por que quantificar a gordura do fígado?
O ultrassom convencional geralmente identifica a esteatose apenas quando já existe um acúmulo relativamente elevado de gordura (mais do que 20%).
A quantificação da gordura hepática permite detectar alterações em fases mais precoces e acompanhar, de forma objetiva, se o tratamento está funcionando.
Isso é especialmente importante para pacientes que estão em processo de emagrecimento, utilizando medicamentos para obesidade ou diabetes, modificando hábitos alimentares ou tratando alterações metabólicas.
Em vez de simplesmente saber que existe gordura no fígado, é possível acompanhar sua evolução ao longo do tempo com muito mais precisão.
Por que avaliar a fibrose?
Nem todo paciente com gordura no fígado apresenta risco elevado de complicações.
O principal fator que determina o prognóstico da doença hepática é a presença de fibrose, que corresponde ao processo de cicatrização progressiva do fígado.
Quanto maior o grau de fibrose, maior o risco de evolução para:
- cirrose;
- insuficiência hepática;
- hipertensão portal;
- carcinoma hepatocelular.
Identificar a fibrose precocemente permite intensificar o tratamento antes que ocorram lesões irreversíveis.
Quem deve realizar este exame?
A elastografia hepática é indicada principalmente para pessoas que apresentam fatores de risco para doença hepática metabólica, como:
- obesidade ou sobrepeso;
- diabetes tipo 2;
- pré-diabetes;
- resistência à insulina;
- síndrome metabólica;
- colesterol ou triglicerídeos elevados;
- hipertensão arterial associada à obesidade;
- diagnóstico prévio de gordura no fígado;
- aumento persistente das enzimas hepáticas (TGO, TGP ou GGT);
- histórico familiar de doença hepática;
- acompanhamento após perda de peso ou durante tratamento para obesidade.
Como o resultado muda o tratamento?
A elastografia não serve apenas para confirmar um diagnóstico.
Ela auxilia na definição da estratégia terapêutica.
Os resultados podem influenciar:
- a intensidade da perda de peso recomendada;
- a necessidade de investigação complementar;
- a frequência do acompanhamento;
- a indicação de medicamentos com benefício metabólico e hepático;
- a necessidade de encaminhamento ao hepatologista quando indicado.
Em outras palavras, o exame ajuda a individualizar o tratamento e permite acompanhar sua eficácia ao longo do tempo.
Como o exame é realizado?
O exame é realizado de forma semelhante a um ultrassom convencional.
Com o paciente confortavelmente deitado, um transdutor é posicionado sobre a região do fígado para obtenção das imagens e das medidas de elastografia e quantificação da gordura hepática.
O procedimento é rápido, indolor, não utiliza radiação e, na maioria dos casos, é concluído em poucos minutos.
Um diferencial no acompanhamento metabólico
A elastografia hepática guiada por ultrassom faz parte da abordagem integrada oferecida no consultório.
Além da realização do exame, os resultados são interpretados dentro do contexto clínico de cada paciente, permitindo correlacionar os achados com exames laboratoriais, composição corporal, fatores de risco cardiovasculares e objetivos do tratamento.
Essa integração possibilita um acompanhamento mais preciso da saúde metabólica e contribui para decisões terapêuticas mais individualizadas, sempre fundamentadas nas melhores evidências científicas.
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